A Era Napoleônica pode ser analisada segundo as idéias de Maquiavel, inclusive pelo fato de Bonaparte ter lido e comentado a obra clássica “O Príncipe”.
Um dos princípios de Nicolau era de que o soberano deveria ser amado e temido pelos cidadãos, porém nunca odiado. Quanto a isto Napoleão se encaixou na figura de príncipe, pois, por exemplo, foi amado por buscar reafirmar os ideais da Revolução Francesa e temido por ter usurpado o trono de seus inimigos provocando fuga destes para terras longínquas (tal como a retirada de D. João VI e sua corte portuguesa para o Brasil).
Outros exemplos que cabe ressaltar são o amor demonstrado pela população quando Napoleão retornou de seu exílio na Ilha de Elba e foi aclamado, e o temor inspirado por este ao regressar de suas batalhas e perpassar o Arco do Triunfo com suas tropas, impressionando todos os presentes.
Apesar de temido, Bonaparte obteve o consentimento de grande parte de seus dominados, não sendo, neste contexto amplo, odiado.
A influência de Napoleão não se resumia aos civis, mas estendia-se também ao exército, pois sua soberania permitia uma coesão de forma que nenhum outro membro sobressaísse a sua figura. Esta unidade foi reafirmada ainda pela constituição de um exército por mérito, ao invés de um exército mercenário. Enquanto este era condenado por Maquiavel, por não ser digno de confiança, aquele permitia a fidelidade de seus membros, garantindo melhor desempenho.
Por último, Maquiavel postulava também que o equilíbrio da sociedade só seria obtido por meio de um governo monárquico e que, ainda, o conflito era uma oportunidade de produção deste. No caso napoleônico, a Revolução Francesa foi uma circunstância favorável à consolidação de seu poder, visto que, com o golpe do 18 do Brumário, Napoleão estabeleceu sua soberania suplantando os outros cônsules.
Pode-se concluir, então, que Napoleão foi um exemplo clássico de príncipe que utilizou os princípios maquiavélicos. No entanto é possível questionar até que ponto Bonaparte obteve êxito, ou seja, usou sua virtude para driblar a fortuna. Isso porque sua derrota para os russos, que aproveitaram o inverno e empregaram a técnica da “terra arrasada”, demonstrou uma vitória da fortuna sobre a virtude rebatendo, desta forma, as qualidades principescas de Napoleão.
Maquivel escreveu um livro com o intúito de ser uma espécie de manual para o bom governante, para o príncipe no caso, para que este soubesse a melhor forma de governar um Estado. Como foi citado acima Napoleão foi um dos leitores e comentador do livro, então se pode dizer que ele foi feliz em seguir as "regras" que Maquiavel cita em seu livro, entre as quais ele cita a imporância da relação dos governados com o Príncipe que segundo Maquiavel deve ser um relação na qual os governados devem temer e amar seu Príncipe, porém para o Prícipe é melhor que ele seja temido. Napoleão segue as indicações de Maquiavel que afirma que o principal é que o Príncipe faça de tudo para ser virtuoso e se manter no poder. Um diálogo com Hobbes também pode ser estabelecido no momento que napoleão é tido como o que põe fim na revolução, um guerra de todos contra todas que ocorria na França. Assim Napoleão toma a frente do Estado em uma espécie de contrato social (como pensado por Hobbes) onde os governados abrem mão de seus direitos naturais para que o Estado os livre do terror e da paranóia (pois o homem é o lobo do homem e um ser belicoso por naturza, e na guerra de todos contra todos a opacidade do homem não permite ao outro ver o que o primeiro planeja instaurando-se um tipo de terror) constante garantindo assim a paz, protegendo os governados deles mesmos. Dessa maneira Napoleão enquadra-se perfeitamente na condição de Príncipe (Maquiavel) e Leviatã (Hobbes).
ResponderExcluirMuito bom o texto de vocês! Para analisar um fato político, o texto foi claramente baseado em um dos princípios mais relevantes de 'O príncipe', de Maquiavel, segundo o qual o príncipe deve procurar ser amado, porém temido, e nunca odiado pelos súditos. Dessa forma conseguirá, virtuosamente, manter em suas mãos o Estado. Vale lembrar que Napoleão mantém o Estado pois, por ser virtuoso, tem tropas que lhe são amigas e fiéis, além de ter o apoio do povo, o que Maquiavel considera de extrema importância.
ResponderExcluirVitória Marques Lorente RA00093147